sábado, 24 de outubro de 2009

Analista constata que curva de Dilma é para cima, de Serra, para baixo

O texto abaixo é do jornalista Maurício Dias, da revista Carta Capital:
" Há uma curva no caminho da pré-candidatura do tucano José Serra. Ela talvez seja um dos maiores fatores da imobilização política do governador paulista em relação à eleição presidencial de 2010, que tem levado seus aliados a certo desespero.

A curva mostra o comportamento longitudinal do eleitor em relação às candidaturas de José Serra e Dilma Rousseff. “Esse comportamento em relação ao governador Serra apresenta uma base de 35% e, ao longo do tempo, sofreu uma variação positiva até o início de 2009. A partir daí, há uma tendência constante de queda”, aponta Marcus Figueiredo, responsável pelo trabalho.

Em junho de 2008, Serra alcançou 38,2% pela Sensus. Chegou a 42,8% no fim de janeiro de 2009 em sondagem de opinião feita pelo mesmo instituto. A curva similar, em relação à candidatura da ministra Dilma Rousseff, aponta uma tendência sempre crescente. Ser (candidato) ou não ser (candidato)? Eis a questão de Serra.

Essa curva era, até então, conhecida por poucos. Ela foi mapeada por Figueiredo, um especialista em pesquisas eleitorais. Professor do Iuperj, da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro, foi utilizada por ele uma metodologia, usada nos Estados Unidos, chamada Poll of Polls (Pesquisa das Pesquisas). Figueiredo tomou como base o resultado das pesquisas pré-eleitorais que representam a opinião da sociedade em momentos variados. Figueiredo usou dados das pesquisas do Ibope e dos institutos Sensus e Datafolha, realizadas entre fevereiro de 2008 e setembro de 2009.

A representatividade das amostras é compatível e o objeto da pergunta é semelhante (“Se a eleição fosse hoje, em quem o senhor votaria?”). Segundo ele, a ideia de fazer a “pesquisa das pesquisas” tem, exatamente, o objetivo de pegar as diferenças apontadas entre as pesquisas rotineiras, que, como retratos, mostram o presente. A tendência dilui essas diferenças episódicas captadas pelos porcentuais de uma mesma pesquisa ou, eventualmente, de pesquisas de diferentes institutos feitas quase no mesmo momento.

A tendência no tempo longo livra as candidaturas de circunstâncias episódicas. Serra teme a derrapagem projetada por essa curva. Certamente, o deputado Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, se preocupa muito com ela. Aliado principal do PSDB, Maia não esconde do eleitor suas angústias e tem forçado uma definição rápida. “A oposição está sem discurso, sem candidato. Estamos no pior dos mundos”, lamentou recentemente.

O gráfico da “pesquisa das pesquisas” aponta uma tendência, mas não assegura que a situação seja imutável. Marcus Figueiredo acredita, no entanto, que, “se o governador José Serra continuar escondido”, a tendência da curva continuará declinante e, em breve, poderá ser ultrapassado pela curva ascendente de Dilma Rousseff.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Desespero da oposição leva à CPI do MST, diz Luiz Sérgio

A destruição de pés de laranja na fazenda da Cutrale, no interior de São Paulo, foi um enorme erro. Ninguém em sã consciência pode defender uma ação como aquela, que beira a irracionalidade.Mas a velha sabedoria ensina: um erro não pode justificar outro. Tentar demonizar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma entidade com 25 anos de serviços prestados à necessária e justa causa da reforma agrária, por causa da insanidade de poucos, é uma lógica perversa que interessa apenas aos setores mais conservadores de nossa sociedade.

São esses setores que agora se mobilizam para transformar a CPI do MST em mais uma tentativa de desestabilizar o governo. Não é segredo algum que a oposição anda desesperada atrás de algo que possa evitar a derrota certa em 2010. Isso talvez explique o fato de as imagens do trator passando por cima das laranjeiras só terem sido divulgadas mais de uma semana depois de feitas, em momento oportuno para os interesses dos que defendiam a criação da CPI.

O MST também foi acusado de roubar óleo diesel e pertences dos empregados da fazenda. Há indícios de que tudo teria sido armado para incriminar os militantes, inclusive com a participação de elementos infiltrados. O que se pede é uma investigação independente. Identificados os culpados, que sejam punidos. Se realmente pertencerem ao MST, o movimento terá que responder por isso. Caso contrário, que se divulgue a armação.

O MST já afirmou que não teme a CPI. O governo também não. Nem a base aliada. A investigação será uma oportunidade a mais para debater o aprofundamento da reforma agrária. Enquanto isso, a oposição seguirá seu caminho em busca de um fato que lhe sirva de bote salva-vidas.

Artigo escrito por Luiz Sérgio, deputado federal (PT-RJ).

Texto originalmente publicado nesta sexta-feira (23) no jornal O DIA, do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para inglês do COI, a “Guerra do Rio” é “insignificante”

Os trágicos acontecimentos da chamada “Guerra do Rio” no último fim de semana, em que um helicóptero da polícia foi abatido por traficantes, deixando um rastro de mortos e feridos, fez a festa da urubuzada que estava só esperando a primeira chance para sair da toca gritando: “Tá vendo? Não avisei? Olha aí o Rio que vai sediar a Olimpíada! É o fim do mundo!”

Como se fosse possível, de uma hora para outra, só porque o Rio foi eleito faz duas semanas para receber as Olimpíadas de 2016, restabelecer a paz e acabar com o poder bélico da bandidagem na eterna luta da polícia contra o crime organizado movido a tráfico de drogas e de armas nas mais de mil favelas cariocas.

Para a turma do quanto pior, pior mesmo, tanto melhor, deve ter sido uma tristeza ler a manchete da página 15 de O Globo desta terça-feira: “Membro do COI diz que episódio é insignificante”. Se eu escrevesse uma coisa dessas, seria logo chamado de nacionalista imbecil, daí para cima.
O texto acima é parte de um artigo do jornalista Ricardo Kotscho (foto), cuja íntegra pode ser lida aqui.

"Os caminhos do futuro", um artigo de Emiliano José

O deputado Emiliano José (PT-BA) (foto)discorre sobre recente palestra de Eric Hobsbawm, na qual o historiador inglês defende o fim da ortodoxia econômica -- o crescimento a qualquer custo -- e preconiza mais atenção ao social. "O século breve, como ele denomina o século XX, teria sido marcado por um conflito religioso entre ideologias laicas. Só um intelectual do porte de Hobsbawm poderia dizer isso, sem medo. Foi dominado pela contraposição de dois modelos econômicos – o “socialismo”, e as aspas são dele, identificado com economias de planejamento central tipo soviético, e o “capitalismo”, também devidamente aspeado, que englobava todo o resto", escreve Emiliano.

O parlamentar do PT observa que a contraposição entre os dois sistemas nunca foi realista. "Todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus, e de fato fazem isso. Corajosa constatação de Hobsbawm, outra vez. Faz tremer os que copiam fórmulas, à direita e à esquerda. O exclusivismo de um ou de outro faliu. As economias do modelo soviético lá pelos anos 80. As do fundamentalismo de mercado anglo-americano, agora, no setembro passado".

Leia aqui a íntegra do texto.

Ferro destaca papel do Bolsa Familia no crescimento do PIB

A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões. As estimativas estão num estudo recém concluído do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo.

Esses dados ajudam a desmontar o arsenal de críticas tendenciosas da oposição ao Programa, que já foi tachado, pejorativamente, até de "Bolsa Esmola". O deputado Fernando Ferro (PT-PE), em pronunciamento no plenário da Câmara, falou sobre os avanços sociais obtidos pelo Bolsa Família e rechaçou as críticas. "Somente quem não conhece a realidade deste país, somente quem não sabe o que é passar fome, tem a coragem de assim denominar o Programa que está tirando da linha de miséria milhares de brasileiros".
Leia o discurso de Ferro, na integra.

Lula pede "calma" à oposição, pois há muitas obras para inaugurar

O presidente Lula ironizou ontem o nervosismo da oposição diante da inauguração de obras de seu governo. Ele recomendou calma aos oposicionistas, porque ainda tem muito por inaugurar, e criticou os governos passados comandados pela oposição. “Eu só peço calma, calma, porque nós ainda nem começamos a inaugurar o que temos que inaugurar”, afirmou Lula, um dia depois que o PSDB, o DEM e o PPS encaminharam representação ao TSE pedindo que o presidente e a ministra Dilma Rousseff sejam punidos por “percorrerem o país em intenção eleitoral”.

“Agora desgraçou tudo. Agora, os homens estão ficando nervosos porque estamos inaugurando obra”, reagiu o presidente ao discursar, em Belo Horizonte, durante solenidade de lançamento da segunda etapa do programa BH Digital – que populariza o acesso à internet – e de assinatura de convênios com prefeituras para construção de moradias populares pelo programa Minha Casa Minha Vida.

“É a primeira vez na vida que vejo alguém ficar nervoso porque se inaugura obra”, ironizou, para logo atacar os governos anteriores. “Eu, quando era oposição, ficava nervoso porque não tinha obra, não tinha escola, não tinha estrada, não tinha ponte, não tinha nada. O Estado não existia. Agora que estamos começando a visitar para inaugurar, estão ficando nervosos”.

De acordo com o presidente, ministros de governos anteriores ficavam em Brasília porque não tinham obras a visitar. Hoje, segundo Lula, é diferente. “Os ministros viajam pelo Brasil afora. Nunca viajaram tanto como viajam hoje. E viajam porque tem trabalho, tem obra, tem realização. Antigamente, não tinha e não precisava viajar. Ficava todo mundo lá em Brasília olhando o tempo passar”.

A presença do presidente na capital mineira, acompanhado pela ministra Dilma Rousseff e mais sete ministros, fez parte de um roteiro de dois dias de viagem a cinco cidades. Em Ouro Preto, Lula lançou o PAC das Cidades Históricas. O programa, coordenado por Dilma, prevê investimentos de R$ 890 milhões em 173 cidades, até 2012, para recuperar cerca de 5.200 imóveis privados e tombados pelo patrimônio histórico, restaurar 200 monumentos públicos e investir no desenvolvimento de 120 atividades produtivas. Ainda em 2009, o governo investirá R$ 140 milhões em 32 cidades históricas.
Veja o discurso do presidente Lula aqui.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Prefeitos preparam marcha em São Paulo para pressionar Serra

A Frente Nacional dos Prefeitos articula para os dias 11 e 12 de novembro a Marcha Paulista em Defesa dos Municípios, que reivindicará do governador José Serra (PSDB) políticas públicas que atendam às necessidades das populações nos setores de educação, saúde e segurança. Os problemas que afligem os governos municipais envolvem desde o fornecimento de merenda até a falta de medicamentos de alto custo.

Outro ponto que pretendem debater é a implantação, que consideram abusiva, de novas praças de pedágios no Rodoanel e em estradas que cortam os municípios. Isso onera as prefeituras, que têm que arcar com a manutenção das vias públicas prejudicadas pela grande circulação de veículos em busca de rotas alternativas para evitar o pagamento de pedágio.

Coordenador da Marcha, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), está convidando os 645 prefeitos paulistas, vice-prefeitos e presidentes das Câmaras Municipais, além de representantes de associações de vereadores; deputados estaduais, federais e senadores de São Paulo; autarquias estaduais; centrais sindicais; dirigentes da OAB, Conselhos Estaduais e representantes do setor financeiro e o próprio governador José Serra.