sábado, 15 de junho de 2013
POR QUE O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA DESPERTA TANTO ÓDIO DE CLASSE?
Fátima Oliveira
Eu não tinha a dimensão do ódio de classe contra o Bolsa Família. Supunha que era apenas uma birra de conservadores contra o PT e quem criticava o Bolsa Família o fazia por rancor de classe a Lula, ou algo do gênero, jamais por ser contra pobre matar a sua fome com dinheiro público.
Idiota ingenuidade a minha! A questão não é de autoria, mas de destinatário! Os críticos esquecem que a fome não é um problema pessoal de quem passa fome, mas um problema político. E Lula assumiu que o Brasil tem o dever de cuidar de sua gente quando ela não dá conta e enquanto não dá conta por si mesma. E Dilma honra o compromisso.
Estou exausta de tanto ouvir que não há mais empregada doméstica, babá, “meninas pra criar”, braços para a lavoura e as lidas das fazendas que não são agronegócios... E que a culpa é do Bolsa Família! Conheço muita gente que está vendendo casas de campo, médias e pequenas propriedades rurais porque simplesmente não encontra “trabalhadores braçais” nem para capinar um pátio, quanto mais para manter a postos “um moleque de mandados”, como era o costume até há pouco tempo! E o fenômeno é creditado exclusivamente ao Bolsa Família.
Esquecem a penetração massiva do capitalismo no campo que emprega, ainda que pagando uma “merreca”, com garantias trabalhistas, em serviços menos duros do que ficar 24 horas por dia à disposição dos “mandados” da casa-grande, que raramente “assina carteira”. Eis a verdade!
Esquecem que a população rural no Brasil hoje é escassa. Dados do IBGE de setembro de 2012: a população residente rural é 15% da população total do país: 195,24 milhões. Não há muitos braços disponíveis no campo, muito menos sobrando e clamando por um prato de comida, gente disposta a alugar sua força de trabalho por qualquer tostão, num regime de quase escravidão, além do que há outras ocupações com salários e condições trabalhistas mais atraentes do que capinar, “trabalhar de aluguel”, que em geral nem dá para comprar o “dicumê”. Dados de 2009 já informavam que 44,7% dos moradores na zona rural auferiam renda de atividades não agrícolas!
Basta juntar três pessoas de classe média que as críticas negativas ao Bolsa Família brotam como cogumelos. Após a boataria de 18 de maio, que o Bolsa Família seria extinto, esse assunto se tornou obrigatório. Fazem questão de ignorar que ele é o maior e mais importante programa antipobreza do mundo e foi copiado por 40 países – é uma “transferência condicional de renda” que objetiva combater a pobreza existente e quebrar o seu ciclo. Atualmente, ajuda 50 milhões de brasileiros: mais de 1/4 do povo! E investe apenas 0,8% do PIB! Sem tal dinheiro, mais de 1/4 da população brasileira ainda estaria passando fome!
Mas há gente sem repertório humanitário, como as que escreveram dois tuítes que recebi: “Nunca vi tanta gente nutrida nas filas dos Caixas eletrônicos para receber o Bolsa Família, até parecia fila para fazer cirurgia bariátrica”; e “Eu também nunca havia visto tanta gente rechonchuda reunida para sugar a bolsa-voto!”.
Como disse a minha personagem dona Lô: “Coisa de gente má que nunca soube o que é comer pastel de imaginação; quem pensa assim integra as hostes da campanha Cansei de Sustentar Vagabundo, que circulou nas eleições presidenciais de 2010”. São evidências de que há gente que não se importa e até gosta de viver num mundo em que, como escreveu Josué de Castro, em “Geografia da Fome” (1984): “Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come...”.
http://leiturasmarona.blogspot.com.br/2013/06/por-que-o-programa-bolsa-familia.html
terça-feira, 11 de junho de 2013
Lula, o reconhecimento internacional e as elites brasileiras
No texto abaixo, o deputado Newton Lima (PT-SP), discorre sobre o reconhecimento internacional do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já recebeu 55 honrarias desde que deixou o cargo, entre elas 24 títulos de doutor honoris causa. Ele cutuca a oposição brasileira por seus insistentes ataques a Lula, que liderou um governo que em oito anos inverteu as prioridades nacionais e tirou 28 milhões de pessoas da miséria, possibilitou o ingresso de outros 39 milhões na classe média e criou 16 milhões de empregos formais. "Não por acaso, o historiador britânico Eric Hobsbawm, morto ano passado, disse que Lula é o mais importante político da atualidade", sublinha Neton Lima.
"Conhecemos a saga de grandes estadistas, como Mikhail Gorbatchóv, aclamados no mundo inteiro por feitos de alcance universal, mas que acabaram rejeitados por seus próprios conterrâneos, incapazes de captar a dimensão histórica das mudanças empreendidas. Já o Brasil teve líderes políticos queridos pelo povo e vilipendiados pelas elites, como Getúlio Vargas e João Goulart, e que por isso tiveram seus governos interrompidos. Mas nunca ninguém como o ex-presidente Lula conseguiu, em seus mandatos e depois deles, ter tanto apoio e reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, ser objeto de tanto ódio e preconceito por parte de alguns setores da oposição.
Há dois dias o jornal O Estado de S. Paulo publicou
uma matéria revelando que, com os 11 últimos títulos de Doctor Honoris Causa
recebidos em menos de um mês, Lula passou a liderar a lista de homenagens a
ex-presidentes, com 55 honrarias: 24 títulos de Doctor Honoris Causa (11
brasileiros); 28 prêmios e cinco títulos de cidadania. A título de comparação,
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acumulou 22 honrarias: nove títulos
de Doctor Honoris Causa; 11 prêmios e dois títulos de cidadania.
Na semana passada, Lula recebeu o título de Doctor
Honoris Causa da Universidad Mayor de San Marcos, em Lima (Peru), fundada
em 1551 e a mais antiga das Américas. O ex-presidente se emocionou por ter
recebido a honraria da mesma universidade que, no passado, homenageou os
libertadores Simón Bolívar e San Martí. E, no mês passado, Lula esteve na Argentina
para receber o mesmo título de nada menos que oito universidades daquele país,
entre elas a Universidad Nacional de San Martín e a Flacso (Facultad
Latino-americana de Ciencias Sociales).
Entre os tantos títulos internacionais já recebidos
por Lula cabe aqui destacar o que foi entregue em Nova York em abril pelo
International Crisis Group, um think tank americano que concedeu ao
ex-presidente o prêmio Em Busca da Paz; e o que ele recebeu em outubro
de 2011, o World Food Prize, criado pelo Nobel da Paz de 1970 Norman E.
Bourlaug para homenagear chefes de Estado que combateram a fome. No mesmo ano,
ele também recebeu o Prêmio Lech Walesa em Gdansk (Polônia), que presta
homenagens a personalidades que se destacam pelo respaldo à liberdade, à
democracia e à cooperação internacional.
Mas talvez a honraria mais célebre e a que causou
maior polêmica tenha sido o Doctor Honoris Causaconcedido ao
ex-metalúrgico pelo prestigioso Instituto de Estudos Políticos de Paris, mais
conhecido como Sciences Po, também em 2011. Lula foi apenas o 16º Doctor
Honoris Causa dessa universidade em 140 anos de existência. Pelos bancos da
Sciences Po se formaram o escritor Marcel Proust, o ex-presidente
Jacques Chirac; o ex-premiê Lionel Jospin e Pascal Lamy, ex-diretor da OMC,
entre outros.
À pergunta impertinente de alguns jornalistas
brasileiros sobre o porquê de Lula – e não Fernando Henrique Cardoso – ter
recebido semelhante distinção, o diretor do Instituto de Estudos Políticos
Richard Descoings, respondeu que o ex-presidente “mudou muito o país e,
radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo”. Nas palavras do diretor, “o
Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo
superior. O presidente Lula mostrou que é possível ser um bom presidente sem
ter que passar pela universidade”.
Na oportunidade, o grande jornalista argentino
Martín Granovsky lavou a alma de Lula e do povo brasileiro ao escrever
ironicamente que no Brasil“um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente.
Se, por alguma casualidade, chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato.
Assim, Lula, silêncio, por favor. Os da Casa Grande estão irritados”.
Além do apoio da maioria da população, esse amplo
reconhecimento internacional de Lula, feita por entidades tão díspares, deveria
levar a oposição mais intransigente à reflexão. Afinal, Lula liderou um governo
que em oito anos inverteu as prioridades nacionais e tirou 28 milhões de
pessoas da miséria, possibilitou o ingresso de outros 39 milhões na classe
média e criou 16 milhões de empregos formais. Não por acaso, o historiador
britânico Eric Hobsbawm, morto ano passado, disse que Lula é o mais importante
político da atualidade. "
sexta-feira, 7 de junho de 2013
O BRASIL MERECE O ‘B’ NOS BRIC?
LEITURA ESSENCIAL
Neste texto, publicado no site da CNN, no dia 3/6, com o título O Brasil merece o ‘B’ nos BRIC? Anthony Pereira mostra que a economia brasileira tem o PIB per capita mais alto que China e Índia, e, com uma economia mais madura, não é de se estranhar que os índices crescem de forma mais lenta. E o mais importante, o país é muito menos vulnerável a choques externos do que costumava ser. A dívida pública como porcentagem do PIB caiu de 60% para 35% do PIB entre 2002 e 2012 e diferentemente da China e da Índia, o Brasil tem reduzido a desigualdade econômica nos últimos anos.
Anthony Pereira*
Quando o economista Jim O’Neill, da Goldman Sach’s, veio pela primeira vez ao Brasil depois de criar a sigla BRIC, alguém perguntou se ele havia incluído o “B” apenas para soar agradável. Esse ceticismo tem se tornado comum novamente, os investidores comparam a taxa de crescimento do Brasil, que este ano foi somente 3 %, e enquanto na China e na Índia está em torno de 8% e 6% respectivamente.

Então, o Brasil ainda merece ser visto como uma potência econômica? Muitos diriam que não. O Brasil cresceu menos de 1% em 2012, o menor crescimento entre os países do BRIC, que cresceram somente 2,7% em 2011. Os problemas são bem conhecidos. Poupam mais do que investem, sendo que 70% desse crescimento vem do consumo.
O crédito tem crescido largamente nos últimos anos. Entretanto, as famílias têm se endividado, o que retarda o crescimento. Nos últimos dez anos, o Brasil tem se beneficiado do ‘boom’ das commodities, mas esse ‘boom’ desacelerou. O Brasil se tornou um país caro, com uma moeda forte, e ainda tem corroído a competividade da indústria.
Dez anos atrás, aproximadamente 50% das exportações eram produtos manufaturados, hoje as proporções estão perto de 35%. A carga tributária é grande, em torno de 35% do PIB, especialmente em comparação com a qualidade de serviços que o estado oferece, e o governo gasta mais que o crescimento do PIB.
A produtividade do Brasil cresceu apenas 1.3% entre 1990 e 2010, enquanto a China lidera com 8.3%, seguido pela Índia com 4.7% no mesmo período. E ainda existem outras preocupações. A inflação está indo além do teto prescrito pelo Banco Central, sendo de 6.5% ao ano. O déficit do balanço de pagamento tem crescido. A infraestrutura, como portos, estradas e aeroportos, é precária, e as tentativas de trazer o setor privado para modernização da infraestrutura não têm sido bem sucedidas.
Energia elétrica cara, previdência pública mal financiada, e altas taxas de juros completam este quadro negativo. De acordo com alguns analistas, o principal pilar da economia brasileira vem sendo corroído.
O sistema político parece incapaz de responder a tais desafios. A burocracia da máquina pública é complicada e antiquada; a corrupção é recorrente entre os políticos, uma oposição eficiente e um debate sobre as políticas atuais são quase inexistentes.
O governo atual tem planejado a reeleição da presidente Dilma Rousseff, que será em 2014, e ainda existe o perigo dos ajustes necessários serem adiados fazendo com que a situação fique pior.
Deveríamos, então, tratar de RIC ao em vez dos países do BRIC? Não necessariamente. Existem três razões principais para dizer que o Brasil não deveria estar fora como um ator econômico global.
A primeira tem a ver com os fundamentos da economia que são frequentemente ignorados por investidores de curto prazo. A economia brasileira tem o PIB per capita mais alto que China e Índia, e, com uma economia mais madura, não é de se estranhar que os índices crescem de forma mais lenta.
E o mais importante, o país é muito menos vulnerável a choques externos do que costumava ser. A dívida pública como porcentagem do PIB caiu de 60% para 35% do PIB entre 2002 e 2012. As reservas internacionais agora são US$ 377 bilhões. O Brasil atraiu cerca de US$ 62 bilhões em investimento direto estrangeiro em 2012, fazendo com que seja o maior receptor de IDE no mundo depois da China e dos Estados Unidos.
Todos esses fatores são as razões para se ter confiança na capacidade na economia brasileira para que continue a avançar de forma constante e espetacular.
Em segundo lugar, o Brasil possui certos atributos invejáveis. Existem poucas ameaças à sua segurança, o que significa que não é preciso gastar tanto com a segurança nacional. Brasil está sozinho diante dos países do BRIC com relação à não produção de armas nucleares. O Brasil tem uma terra generosa em relação ao seu povo, com uma larga bacia de recursos naturais, incluindo petróleo, para a sua população que é relativamente pequena (200 milhões) comparada à China e Índia. Possui um grande potencial no setor agrícola, mas que ainda não foi alcançado. Como o maior produtor de soja e carne bovina do mundo, tem a capacidade de adaptação das safras em solos tropicais e de desenvolver a sua vasta fronteira terrestre.
Além disso, o Brasil está se tornando um líder ambiental. O gerenciamento da floresta Amazônica é crucial para a saúde do planeta, e essa é a razão pela qual a grande redução do índice de desmatamento tem sido encorajada. Possui a maior reserva de água potável do mundo. Quase metade da fonte de energia vem de recursos renováveis, maior parte vem de hidrelétricas, mas também de biocombustíveis.
Existe um terceiro e último fator que faz o Brasil se destacar. Juntamente com a Rússia, diferentemente da China e da Índia, o Brasil tem reduzido a desigualdade econômica nos últimos anos. O índice de ‘Gini’, que mede a desigualdade de renda, caiu de 0.63 para 0.52 de 1989 até 2009.
Entre 2003 e 2011, aproximadamente 30 milhões de brasileiros se juntaram à chamada “nova classe média”, recebendo entre 100 libras e 400 libras per capita por mês, ganharam acesso ao emprego formal, e ainda acesso a crédito. O Brasil possui um grande mercado consumidor.
Essa redução da desigualdade tem um componente racial, o motivo seria que 75% da nova classe média são ‘não brancos’. E também tem componente de gênero: nos últimos vinte anos o emprego formal para mulher cresceu 136%.
É verdade que os índices econômicos do Brasil têm crescido lentamente se comparado a China e a Índia. Mas os índices também são lentos na maioria dos países. O Brasil tende a ser foco de análises exageradas da economia.
Se olharmos além da preocupação superficial do crescimento do Brasil e seus fundamentos econômicos, os seus recursos, e o progresso social extraordinário que o país tem feito nas últimas décadas, parece prematuro remover o "B" do BRIC.
http://edition.cnn.com/2013/06/03/business/opinion-pereira-brazil-bric-economies/index.html?iid=article_sidebar
Anthony Pereira* é professor e diretor do Instituto Brasileiro na King’s College London (texto publicado no site da CNN em 03/06/13)
Neste texto, publicado no site da CNN, no dia 3/6, com o título O Brasil merece o ‘B’ nos BRIC? Anthony Pereira mostra que a economia brasileira tem o PIB per capita mais alto que China e Índia, e, com uma economia mais madura, não é de se estranhar que os índices crescem de forma mais lenta. E o mais importante, o país é muito menos vulnerável a choques externos do que costumava ser. A dívida pública como porcentagem do PIB caiu de 60% para 35% do PIB entre 2002 e 2012 e diferentemente da China e da Índia, o Brasil tem reduzido a desigualdade econômica nos últimos anos.
Anthony Pereira*
Quando o economista Jim O’Neill, da Goldman Sach’s, veio pela primeira vez ao Brasil depois de criar a sigla BRIC, alguém perguntou se ele havia incluído o “B” apenas para soar agradável. Esse ceticismo tem se tornado comum novamente, os investidores comparam a taxa de crescimento do Brasil, que este ano foi somente 3 %, e enquanto na China e na Índia está em torno de 8% e 6% respectivamente.

Então, o Brasil ainda merece ser visto como uma potência econômica? Muitos diriam que não. O Brasil cresceu menos de 1% em 2012, o menor crescimento entre os países do BRIC, que cresceram somente 2,7% em 2011. Os problemas são bem conhecidos. Poupam mais do que investem, sendo que 70% desse crescimento vem do consumo.
O crédito tem crescido largamente nos últimos anos. Entretanto, as famílias têm se endividado, o que retarda o crescimento. Nos últimos dez anos, o Brasil tem se beneficiado do ‘boom’ das commodities, mas esse ‘boom’ desacelerou. O Brasil se tornou um país caro, com uma moeda forte, e ainda tem corroído a competividade da indústria.
Dez anos atrás, aproximadamente 50% das exportações eram produtos manufaturados, hoje as proporções estão perto de 35%. A carga tributária é grande, em torno de 35% do PIB, especialmente em comparação com a qualidade de serviços que o estado oferece, e o governo gasta mais que o crescimento do PIB.
A produtividade do Brasil cresceu apenas 1.3% entre 1990 e 2010, enquanto a China lidera com 8.3%, seguido pela Índia com 4.7% no mesmo período. E ainda existem outras preocupações. A inflação está indo além do teto prescrito pelo Banco Central, sendo de 6.5% ao ano. O déficit do balanço de pagamento tem crescido. A infraestrutura, como portos, estradas e aeroportos, é precária, e as tentativas de trazer o setor privado para modernização da infraestrutura não têm sido bem sucedidas.
Energia elétrica cara, previdência pública mal financiada, e altas taxas de juros completam este quadro negativo. De acordo com alguns analistas, o principal pilar da economia brasileira vem sendo corroído.
O sistema político parece incapaz de responder a tais desafios. A burocracia da máquina pública é complicada e antiquada; a corrupção é recorrente entre os políticos, uma oposição eficiente e um debate sobre as políticas atuais são quase inexistentes.
O governo atual tem planejado a reeleição da presidente Dilma Rousseff, que será em 2014, e ainda existe o perigo dos ajustes necessários serem adiados fazendo com que a situação fique pior.
Deveríamos, então, tratar de RIC ao em vez dos países do BRIC? Não necessariamente. Existem três razões principais para dizer que o Brasil não deveria estar fora como um ator econômico global.
A primeira tem a ver com os fundamentos da economia que são frequentemente ignorados por investidores de curto prazo. A economia brasileira tem o PIB per capita mais alto que China e Índia, e, com uma economia mais madura, não é de se estranhar que os índices crescem de forma mais lenta.
E o mais importante, o país é muito menos vulnerável a choques externos do que costumava ser. A dívida pública como porcentagem do PIB caiu de 60% para 35% do PIB entre 2002 e 2012. As reservas internacionais agora são US$ 377 bilhões. O Brasil atraiu cerca de US$ 62 bilhões em investimento direto estrangeiro em 2012, fazendo com que seja o maior receptor de IDE no mundo depois da China e dos Estados Unidos.
Todos esses fatores são as razões para se ter confiança na capacidade na economia brasileira para que continue a avançar de forma constante e espetacular.
Em segundo lugar, o Brasil possui certos atributos invejáveis. Existem poucas ameaças à sua segurança, o que significa que não é preciso gastar tanto com a segurança nacional. Brasil está sozinho diante dos países do BRIC com relação à não produção de armas nucleares. O Brasil tem uma terra generosa em relação ao seu povo, com uma larga bacia de recursos naturais, incluindo petróleo, para a sua população que é relativamente pequena (200 milhões) comparada à China e Índia. Possui um grande potencial no setor agrícola, mas que ainda não foi alcançado. Como o maior produtor de soja e carne bovina do mundo, tem a capacidade de adaptação das safras em solos tropicais e de desenvolver a sua vasta fronteira terrestre.
Além disso, o Brasil está se tornando um líder ambiental. O gerenciamento da floresta Amazônica é crucial para a saúde do planeta, e essa é a razão pela qual a grande redução do índice de desmatamento tem sido encorajada. Possui a maior reserva de água potável do mundo. Quase metade da fonte de energia vem de recursos renováveis, maior parte vem de hidrelétricas, mas também de biocombustíveis.
Existe um terceiro e último fator que faz o Brasil se destacar. Juntamente com a Rússia, diferentemente da China e da Índia, o Brasil tem reduzido a desigualdade econômica nos últimos anos. O índice de ‘Gini’, que mede a desigualdade de renda, caiu de 0.63 para 0.52 de 1989 até 2009.
Entre 2003 e 2011, aproximadamente 30 milhões de brasileiros se juntaram à chamada “nova classe média”, recebendo entre 100 libras e 400 libras per capita por mês, ganharam acesso ao emprego formal, e ainda acesso a crédito. O Brasil possui um grande mercado consumidor.
Essa redução da desigualdade tem um componente racial, o motivo seria que 75% da nova classe média são ‘não brancos’. E também tem componente de gênero: nos últimos vinte anos o emprego formal para mulher cresceu 136%.
É verdade que os índices econômicos do Brasil têm crescido lentamente se comparado a China e a Índia. Mas os índices também são lentos na maioria dos países. O Brasil tende a ser foco de análises exageradas da economia.
Se olharmos além da preocupação superficial do crescimento do Brasil e seus fundamentos econômicos, os seus recursos, e o progresso social extraordinário que o país tem feito nas últimas décadas, parece prematuro remover o "B" do BRIC.
http://edition.cnn.com/2013/06/03/business/opinion-pereira-brazil-bric-economies/index.html?iid=article_sidebar
Anthony Pereira* é professor e diretor do Instituto Brasileiro na King’s College London (texto publicado no site da CNN em 03/06/13)
A BANALIDADE DE “NÃO SEJA MAU”
LEITURA ESSENCIAL
O texto abaixo,em tradução não oficial, é de Julian Assenge, criador do WikiLeaks, publicado no New York Times de sexta-feira (02/06), trata do livro The new digital age, de Eric Schmidt e Jared Cohen. Schmidt é o diretor-executivo do Google, e Cohen, ex-assessor de Condoleeza Rice e Hillary Clinton, é diretor de sua Divisão de Ideias. Ambos, segundo Assange, criaram um novo idioma para o poder global dos Estados Unidos no século 21. De forma clara, anunciam que a sua empresa terá uma posição chave na consolidação do imperialismo tecnocrático norte-americano no mundo. “O texto é conciso, o estilo, coloquial — e o conteúdo, banal”, resume Assange.
O que preocupa Assange é outra coisa: a íntima associação entre o Google — nascido da ideia visionária e libertária de jovens do Vale do Silício — e o Departamento de Estado. Como registra o criador do WikiLeaks, os maiores elogios ao livro partiram dos falcões imperialistas, como Henry Kissinger, Tony Blair e Michael Hayden, ex-diretor da CIA. Assange – conforme lembrou o jornalista Mauro Santayana - aponta que o livro dos dirigentes do Google repete os tabus e interesses do Departamento de Estado. Seus autores, conforme o criador do WikiLeaks, desdenham o avanço democrático na América Latina — obtido com o fim das oligarquias e a queda de alguns dirigentes submissos aos Estados Unidos — e se referem a seus líderes como “envelhecidos”.
Julian Assenge*
“A Nova Era Digital” é um surpreendentemente claro e provocativo protótipo para o imperialismo tecnocrático, de dois de seus principais feiticeiros, Eric Schmidt e Jared Cohen, que constroem um novo idioma para o poder global dos Estados Unidos no século XXI. Esse idioma reflete a cada vez mais próxima união entre o Departamento de Estado e o Vale do Silício, como personificado pelo Sr. Schmidt, o diretor executivo da Google, e o Sr. Cohen, um antigo conselheiro de Condoleezza Rice e Hillary Clinton que agora é diretor da Google Idéias.

Os autores se encontraram em Bagdá, ocupada em 2009, quando o livro foi concebido. Espreitando pelas ruínas, ambos se entusiasmaram com a tecnologia de consumo que estava transformando uma sociedade comprimida pela ocupação militar dos EUA. Eles decidiram que a indústria tecnológica poderia ser um poderoso agente da política externa norte-americana.
O livro propagandeia o papel da tecnologia em remodelar os povos e nações do mundo ao gosto do superpoder dominante, queiram eles ser remodelados ou não. A prosa é concisa, o argumento confiante e a sabedoria – banal. Mas este não é um livro feito para ser lido. É uma grande declaração planejada para gerar alianças.
“A Nova Era Digital” é, além de qualquer coisa, uma tentativa do Google para se posicionar como o visionário geopolítico da América – aquela empresa que pode responder à pergunta “Onde a América deve ir?” Não surpreende que um número respeitável dos mais famosos cães de guerra mundiais foram convocados para dar seus selos de aprovação a este subterfúgio do “poder brando” ocidental. Os reconhecimentos dão prioridade para Henry Kissinger, que junto com Tony Blair e o antigo diretor da CIA Michael Hayden concederam elogios prévios para o livro.
No livro os autores tomam o fardo do nerd branco com alegria. Uma pitada liberal de bons negros, convenientes e hipotéticos, aparece: pescadoras congolesas, designers gráficos em Botswana, ativistas anticorrupção em São Salvador e pastores analfabetos no Serengueti são todos obedientemente invocados para demonstrar as propriedades progressivas dos telefones Google articulados na cadeia informacional do império do Ocidente.
Os autores oferecem uma versão profissionalmente banalizada do mundo do amanhã: os aparatos tecnológicos de décadas adiante são previstos como a serem bastante como o que temos hoje – só que mais estilosos. O “progresso” é gerado pela difusão inexorável da tecnologia de consumo americana sobre a superfície da Terra. Todos os dias já há uma ativação de um milhão ou mais de aparelhos móveis que funcionam via Google. A empresa irá se introduzir – e por consequência o governo dos Estados Unidos – entre as comunicações de cada ser humano que não está na China (China malandra).
Mercadorias apenas se tornam mais atraentes; jovens profissionais urbanos dormem, trabalham e fazem compras com mais facilidade e conforto; democracia é diabolicamente subvertida por tecnologias de vigilância, e o controle é entusiasticamente renomeado como “participação”; e nossa presente ordem mundial de dominação sistematizada, intimidação e opressão continua, encoberta, ilesa ou apenas suavemente perturbada.
Os autores são duros quanto ao triunfo dos Egípcios em 2011. Eles dispensaram a intimidada juventude egípcia, afirmando que “a confusão nos protestos e a arrogância dos jovens é universal”. Grupos que são inspirados virtualmente levam a uma revolução “fácil de começar”, mas “difícil de acabar”. Por causa da abstenção de líderes fortes, o resultado, o Sr. Kissinger diz aos autores, são coalizões de governantes que derrocam em autocracias. Eles dizem que “não haverá mais primaveras” (mas a China está nessa corrente).
Os autores fantasiam sobre o futuro dos grupos revolucionários com “bons recursos”. Um novo “grupo de consultores” irá “usar dados para construir e harmonizar uma figura política”.
No discurso “dele” (o futuro não é tão diferente) a fala e a escrita serão alimentadas “através de complexos recursos de extração e grupos de software de análise de tendências” enquanto “mapeando o funcionamento cerebral,” e outros “diagnósticos sofisticados” serão usados para “avaliar os pontos fracos do seu repertório político”.
O livro espelha tabus institucionais e obsessões do Departamento de Estado. Isso evita uma crítica significativa de Israel e da Arábia Saudita. Ele pretende, extraordinariamente, que o movimento de soberania latino-americano, que libertou tantos de ditaduras e plutocracias apoiadas pelos EUA nos últimos 30 anos, nunca aconteceu. Referindo-se à região como o lugar dos “líderes envelhecidos”, o livro não consegue ver a América Latina por Cuba. E, claro, o livro aborda teatralmente os favoritos bichos papões de Washington: a Coréia do Norte e o Irã.
Google, que começou como uma expressão da cultura californiana de estudantes de graduação - uma cultura decente, humana e divertida — se vendeu, ao encontrar o mundo grande e mau, para os elementos tradicionais de poder em Washington, do Departamento de Estado à Agência de Segurança Nacional.
Apesar de representar uma fração infinitesimal das mortes violentas no mundo, o terrorismo é uma marca favorita nos círculos políticos dos Estados Unidos. Este é um fetiche que também deve ser atendido, e então "O Futuro do Terrorismo" recebe mais um capítulo. O futuro do terrorismo, aprendemos, é o “cyberterrorismo”. A sessão de indulgente alarmismo segue, incluindo um cenário de filme-catástrofe, de tirar o fôlego, onde “cyberterroristas” assumem o controle do sistema americano de controle de tráfego aéreo, colidem aviões em edifícios, fecham as redes de energia e fazem lançamento de armas nucleares. Os autores então atacam ativistas que se engajam e práticas digitais com a mesma arma.
Eu tenho uma perspectiva muito diferente. O avanço da tecnologia da informação sintetizada pelo Google anuncia a morte da privacidade para a maioria das pessoas e muda o mundo na direção do autoritarismo. Esta é a principal tese do meu livro, “Cypherpunks.”. Mas enquanto o Sr. Schmidt e o Sr. Cohen nos dizem que a morte da privacidade vai ajudar os governos nas "autocracias repressivas" em "alvejar os seus cidadãos", eles também dizem que os governos nas democracias “abertas” irão vê-la como “um dom” que lhes permite “responder melhor aos cidadãos e às preocupações dos clientes”. Na realidade, a invasão da privacidade individual no Ocidente e a centralização de poder fazem dos abusos algo inevitável, movendo as “boas” sociedades para perto das "ruins".
A seção sobre "autocracias repressivas" descreve, com desaprovação, várias medidas de vigilância repressivas: legislação que insere porta dos fundos em softwares para permitir espionar os cidadãos; o monitoramento das redes sociais e coleta de informações sobre populações inteiras. Tudo isso já está em uso difundido nos Estados Unidos. Na verdade, algumas dessas medidas - como o incentivo para exigir que cada perfil das redes sociais esteja ligado ao nome real - foram liderados pelo próprio Google.
Está tudo escrito nas paredes, mas os autores não conseguem ver isso. Eles emprestam as ideias de William Dobson de que os meios de comunicação, em uma autocracia, “permitem uma imprensa de oposição, na medida em que os opositores do regime entendem onde os limites tácitos estão.” Entretanto, essas tendências estão começando a surgir nos Estados Unidos. Ninguém duvida dos efeitos surpreendentes das investigações sobre a Associated Press e James Rosen, da Fox. Mas houve pouca análise no papel do Google no cumprimento da intimação de Rosen. Tenho experiência pessoal sobre essas tendências.
O Departamento de Justiça admitiu em março que estava no terceiro ano de investigação criminal do WikiLeaks. Testemunhos em tribunal afirmaram que os alvos incluem "os fundadores, proprietários ou gerentes de WikiLeaks". Uma suposta fonte, Bradley Manning, irá enfrentar um julgamento de 12 semanas a partir de amanhã, com 24 testemunhas de acusação que se espera deporem em segredo.
O livro é um trabalho “maléfico” que nem o autor tem a linguagem para ver, muito menos para expressar, o titânico mal centralizador que eles estão construindo. “O que Lockheed Martin foi para o século XX”, nos dizem, “empresas de tecnologia e cybersegurança serão para o XXI.” Sem sequer compreender como, eles atualizaram e consistentemente implementaram a profecia de George Orwell. Se você quer uma visão do futuro, imagine Óculos Google apoiados por Washington enlaçados em faces humanas disponíveis – para sempre. Guardiões do culto da cultura de tecnologia de consumo irão encontrar pouca coisa a inspirá-los aqui, não que eles alguma vez pareçam precisar. Mas isto é leitura essencial para qualquer um pego na luta pelo futuro, tendo em mente um imperativo simples: Conheça seu inimigo.
http://www.nytimes.com/2013/06/02/opinion/sunday/the-banality-of-googles-dont-be-evil.html?_r=0
Julian Assenge* é criador do WikiLeaks (texto publicado no New York Times em 02/06/13
O texto abaixo,em tradução não oficial, é de Julian Assenge, criador do WikiLeaks, publicado no New York Times de sexta-feira (02/06), trata do livro The new digital age, de Eric Schmidt e Jared Cohen. Schmidt é o diretor-executivo do Google, e Cohen, ex-assessor de Condoleeza Rice e Hillary Clinton, é diretor de sua Divisão de Ideias. Ambos, segundo Assange, criaram um novo idioma para o poder global dos Estados Unidos no século 21. De forma clara, anunciam que a sua empresa terá uma posição chave na consolidação do imperialismo tecnocrático norte-americano no mundo. “O texto é conciso, o estilo, coloquial — e o conteúdo, banal”, resume Assange.
O que preocupa Assange é outra coisa: a íntima associação entre o Google — nascido da ideia visionária e libertária de jovens do Vale do Silício — e o Departamento de Estado. Como registra o criador do WikiLeaks, os maiores elogios ao livro partiram dos falcões imperialistas, como Henry Kissinger, Tony Blair e Michael Hayden, ex-diretor da CIA. Assange – conforme lembrou o jornalista Mauro Santayana - aponta que o livro dos dirigentes do Google repete os tabus e interesses do Departamento de Estado. Seus autores, conforme o criador do WikiLeaks, desdenham o avanço democrático na América Latina — obtido com o fim das oligarquias e a queda de alguns dirigentes submissos aos Estados Unidos — e se referem a seus líderes como “envelhecidos”.
Julian Assenge*
“A Nova Era Digital” é um surpreendentemente claro e provocativo protótipo para o imperialismo tecnocrático, de dois de seus principais feiticeiros, Eric Schmidt e Jared Cohen, que constroem um novo idioma para o poder global dos Estados Unidos no século XXI. Esse idioma reflete a cada vez mais próxima união entre o Departamento de Estado e o Vale do Silício, como personificado pelo Sr. Schmidt, o diretor executivo da Google, e o Sr. Cohen, um antigo conselheiro de Condoleezza Rice e Hillary Clinton que agora é diretor da Google Idéias.

Os autores se encontraram em Bagdá, ocupada em 2009, quando o livro foi concebido. Espreitando pelas ruínas, ambos se entusiasmaram com a tecnologia de consumo que estava transformando uma sociedade comprimida pela ocupação militar dos EUA. Eles decidiram que a indústria tecnológica poderia ser um poderoso agente da política externa norte-americana.
O livro propagandeia o papel da tecnologia em remodelar os povos e nações do mundo ao gosto do superpoder dominante, queiram eles ser remodelados ou não. A prosa é concisa, o argumento confiante e a sabedoria – banal. Mas este não é um livro feito para ser lido. É uma grande declaração planejada para gerar alianças.
“A Nova Era Digital” é, além de qualquer coisa, uma tentativa do Google para se posicionar como o visionário geopolítico da América – aquela empresa que pode responder à pergunta “Onde a América deve ir?” Não surpreende que um número respeitável dos mais famosos cães de guerra mundiais foram convocados para dar seus selos de aprovação a este subterfúgio do “poder brando” ocidental. Os reconhecimentos dão prioridade para Henry Kissinger, que junto com Tony Blair e o antigo diretor da CIA Michael Hayden concederam elogios prévios para o livro.
No livro os autores tomam o fardo do nerd branco com alegria. Uma pitada liberal de bons negros, convenientes e hipotéticos, aparece: pescadoras congolesas, designers gráficos em Botswana, ativistas anticorrupção em São Salvador e pastores analfabetos no Serengueti são todos obedientemente invocados para demonstrar as propriedades progressivas dos telefones Google articulados na cadeia informacional do império do Ocidente.
Os autores oferecem uma versão profissionalmente banalizada do mundo do amanhã: os aparatos tecnológicos de décadas adiante são previstos como a serem bastante como o que temos hoje – só que mais estilosos. O “progresso” é gerado pela difusão inexorável da tecnologia de consumo americana sobre a superfície da Terra. Todos os dias já há uma ativação de um milhão ou mais de aparelhos móveis que funcionam via Google. A empresa irá se introduzir – e por consequência o governo dos Estados Unidos – entre as comunicações de cada ser humano que não está na China (China malandra).
Mercadorias apenas se tornam mais atraentes; jovens profissionais urbanos dormem, trabalham e fazem compras com mais facilidade e conforto; democracia é diabolicamente subvertida por tecnologias de vigilância, e o controle é entusiasticamente renomeado como “participação”; e nossa presente ordem mundial de dominação sistematizada, intimidação e opressão continua, encoberta, ilesa ou apenas suavemente perturbada.
Os autores são duros quanto ao triunfo dos Egípcios em 2011. Eles dispensaram a intimidada juventude egípcia, afirmando que “a confusão nos protestos e a arrogância dos jovens é universal”. Grupos que são inspirados virtualmente levam a uma revolução “fácil de começar”, mas “difícil de acabar”. Por causa da abstenção de líderes fortes, o resultado, o Sr. Kissinger diz aos autores, são coalizões de governantes que derrocam em autocracias. Eles dizem que “não haverá mais primaveras” (mas a China está nessa corrente).
Os autores fantasiam sobre o futuro dos grupos revolucionários com “bons recursos”. Um novo “grupo de consultores” irá “usar dados para construir e harmonizar uma figura política”.
No discurso “dele” (o futuro não é tão diferente) a fala e a escrita serão alimentadas “através de complexos recursos de extração e grupos de software de análise de tendências” enquanto “mapeando o funcionamento cerebral,” e outros “diagnósticos sofisticados” serão usados para “avaliar os pontos fracos do seu repertório político”.
O livro espelha tabus institucionais e obsessões do Departamento de Estado. Isso evita uma crítica significativa de Israel e da Arábia Saudita. Ele pretende, extraordinariamente, que o movimento de soberania latino-americano, que libertou tantos de ditaduras e plutocracias apoiadas pelos EUA nos últimos 30 anos, nunca aconteceu. Referindo-se à região como o lugar dos “líderes envelhecidos”, o livro não consegue ver a América Latina por Cuba. E, claro, o livro aborda teatralmente os favoritos bichos papões de Washington: a Coréia do Norte e o Irã.
Google, que começou como uma expressão da cultura californiana de estudantes de graduação - uma cultura decente, humana e divertida — se vendeu, ao encontrar o mundo grande e mau, para os elementos tradicionais de poder em Washington, do Departamento de Estado à Agência de Segurança Nacional.
Apesar de representar uma fração infinitesimal das mortes violentas no mundo, o terrorismo é uma marca favorita nos círculos políticos dos Estados Unidos. Este é um fetiche que também deve ser atendido, e então "O Futuro do Terrorismo" recebe mais um capítulo. O futuro do terrorismo, aprendemos, é o “cyberterrorismo”. A sessão de indulgente alarmismo segue, incluindo um cenário de filme-catástrofe, de tirar o fôlego, onde “cyberterroristas” assumem o controle do sistema americano de controle de tráfego aéreo, colidem aviões em edifícios, fecham as redes de energia e fazem lançamento de armas nucleares. Os autores então atacam ativistas que se engajam e práticas digitais com a mesma arma.
Eu tenho uma perspectiva muito diferente. O avanço da tecnologia da informação sintetizada pelo Google anuncia a morte da privacidade para a maioria das pessoas e muda o mundo na direção do autoritarismo. Esta é a principal tese do meu livro, “Cypherpunks.”. Mas enquanto o Sr. Schmidt e o Sr. Cohen nos dizem que a morte da privacidade vai ajudar os governos nas "autocracias repressivas" em "alvejar os seus cidadãos", eles também dizem que os governos nas democracias “abertas” irão vê-la como “um dom” que lhes permite “responder melhor aos cidadãos e às preocupações dos clientes”. Na realidade, a invasão da privacidade individual no Ocidente e a centralização de poder fazem dos abusos algo inevitável, movendo as “boas” sociedades para perto das "ruins".
A seção sobre "autocracias repressivas" descreve, com desaprovação, várias medidas de vigilância repressivas: legislação que insere porta dos fundos em softwares para permitir espionar os cidadãos; o monitoramento das redes sociais e coleta de informações sobre populações inteiras. Tudo isso já está em uso difundido nos Estados Unidos. Na verdade, algumas dessas medidas - como o incentivo para exigir que cada perfil das redes sociais esteja ligado ao nome real - foram liderados pelo próprio Google.
Está tudo escrito nas paredes, mas os autores não conseguem ver isso. Eles emprestam as ideias de William Dobson de que os meios de comunicação, em uma autocracia, “permitem uma imprensa de oposição, na medida em que os opositores do regime entendem onde os limites tácitos estão.” Entretanto, essas tendências estão começando a surgir nos Estados Unidos. Ninguém duvida dos efeitos surpreendentes das investigações sobre a Associated Press e James Rosen, da Fox. Mas houve pouca análise no papel do Google no cumprimento da intimação de Rosen. Tenho experiência pessoal sobre essas tendências.
O Departamento de Justiça admitiu em março que estava no terceiro ano de investigação criminal do WikiLeaks. Testemunhos em tribunal afirmaram que os alvos incluem "os fundadores, proprietários ou gerentes de WikiLeaks". Uma suposta fonte, Bradley Manning, irá enfrentar um julgamento de 12 semanas a partir de amanhã, com 24 testemunhas de acusação que se espera deporem em segredo.
O livro é um trabalho “maléfico” que nem o autor tem a linguagem para ver, muito menos para expressar, o titânico mal centralizador que eles estão construindo. “O que Lockheed Martin foi para o século XX”, nos dizem, “empresas de tecnologia e cybersegurança serão para o XXI.” Sem sequer compreender como, eles atualizaram e consistentemente implementaram a profecia de George Orwell. Se você quer uma visão do futuro, imagine Óculos Google apoiados por Washington enlaçados em faces humanas disponíveis – para sempre. Guardiões do culto da cultura de tecnologia de consumo irão encontrar pouca coisa a inspirá-los aqui, não que eles alguma vez pareçam precisar. Mas isto é leitura essencial para qualquer um pego na luta pelo futuro, tendo em mente um imperativo simples: Conheça seu inimigo.
http://www.nytimes.com/2013/06/02/opinion/sunday/the-banality-of-googles-dont-be-evil.html?_r=0
Julian Assenge* é criador do WikiLeaks (texto publicado no New York Times em 02/06/13
terça-feira, 28 de maio de 2013
Aliança do Factoide
Alguns órgãos da mídia conservadora brasileira têm comemorado o encaminhamento do México, da Colômbia, do Chile e do Peru para a formação de um bloco de livre comércio, em contraposição ao Mercosul para avançar no comércio internacional. Para o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o tema " não nos tira o sono”, nem do Brasil, nem do Mercosul. O artigo abaixo, de Marcelo Zero, esclarece a questão.
Marcelo Zero
Os conservadores brasileiros têm um novo fetiche: a Aliança do Pacífico. Trata-se um novo bloco econômico comercial que pretende agregar, numa área de livre comércio, Chile, Peru, Colômbia, México e Costa Rica.
Conforme as notícias que lemos na grande imprensa, a Aliança do Pacífico foi criada para servir de contrapeso ao Mercosul, um bloco de economias “estatizadas” e “pouco dinâmicas”, que rejeitam as benesses do livre-comércio. Ainda de acordo com nossos determinados paleoliberais, que persistem em suas crenças panglossianas mesmo após a crise do capitalismo desregulado, o futuro pertence à Aliança, ao passo que ao Mercosul caberia o atraso, a estagnação e o isolamento.
Bom, em primeiro lugar, é preciso observar que qualquer bloco econômico da América do Sul ou da América Latina que não inclua o Brasil não terá maior relevância regional. O Brasil é a sexta economia mundial e o Mercosul, em seu conjunto, já representa a quarta economia mundial, à frente de gigantes como Alemanha e Japão. Em contrapartida, o México, a grande economia da Aliança do Pacífico, é a décima quarta economia do mundo (dados de 2011) e a Aliança como um todo representaria a novena economia do planeta. Ademais, nenhum país da Aliança chega perto do peso demográfico, geográfico e geopolítico que o Brasil tem hoje no mundo.
Alguns argumentam que a Aliança exporta mais que o Mercosul. É verdade. Em razão das grandes exportações do México, fruto essencialmente da sua participação no NAFTA, esse bloco efetivamente exporta mais. Porém, esses defensores da Aliança não mencionam que a balança comercial do México é deficitária. Entre 2002 e 2011, segundo dados da ALADI, o México acumulou cerca de US$ 72 bilhões de déficit em sua balança comercial. Não é muito, se levarmos em consideração o volume da corrente de comércio mexicana, mas é algo significativo. Em contraste, o Brasil acumulou, no mesmo período, um superávit de US$ 303 bilhões, que muito contribuiu para a superação da vulnerabilidade externa de nossa economia.
Em segundo lugar, o Brasil e o Mercosul já têm livre comércio ou comércio bastante facilitado com todos os países da América do Sul que aderiram à Aliança do Pacífico. Em alguns casos, há muito tempo. O Chile, por exemplo, formalizou sua associação à área de livre comércio do Mercosul já em 1996, com a assinatura do Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Chile (ACE Nº35). O Peru, por sua vez, aderiu à zona de livre comércio do Mercosul em 2003, com a assinatura do Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Peru (ACE Nº 58/03). E a Colômbia, junto com Equador e Venezuela, tornou-se membro associado do Mercosul em 2004, mediante a assinatura do Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Colômbia, Equador e Venezuela (ACE Nº 59/04).
Ou seja, todos esses países da Aliança, e mais todos os demais países da América do Sul (à exceção de Guina e Suriname), já fazem parte, em maior ou menor grau, da zona de livre comércio do Mercosul. A única grande diferença, em relação aos membros plenos do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela), é que eles não fazem parte da união aduaneira do Mercosul e nem participam de suas instituições políticas.
Como resultado dessa integração, as exportações do Brasil para essas nações aumentaram exponencialmente. Para a Colômbia, as exportações brasileiras aumentaram de US$ 638 milhões, em 2002, para US$ 2,83 bilhões, em 2012. Em relação ao Peru, nossas exportações subiram de apenas US$ 438 milhões para US$ 2,4 bilhões, no mesmo período. No que tange ao Chile, as exportações brasileiras aumentaram de US$ 1,4 bilhão, em 2002, para US$ 5,4 bilhões, em 2011. Diga-se de passagem, o Brasil tem alentados superávits com todos esses países.
Além disso, esses países da América do Sul que participam da Aliança do Pacífico já têm, por forças desses acordos citados e dos acordos firmados no âmbito da Comunidade Andina, livre comércio entre si. Portanto, a única novidade da Aliança é a proposta de livre comércio entre esses países e o México. Nesse sentido, a Aliança do Pacífico nada mais é, pelo menos por enquanto, do que um acordo de livre comércio entre o México e alguns países remanescentes da Comunidade Andina, já que Equador, Bolívia e Venezuela não pretendem aderir. Não se pense, aliás, que a Aliança do Pacífico vai conseguir acesso facilitado ao mercado norte-americano. Qualquer acordo com os EUA terá de passar pelo crivo draconiano do Congresso norte-americano, que exigirá, dos países da Aliança, bem mais do que livre comércio.
Much ado about nothing, diria o dramaturgo de Stratford-upon-Avon.
Em relação ao México, o Brasil firmou o Acordo de Complementação Econômica nº 53, ainda em 2002. Tal acordo, embora menos ambicioso que os demais citados aqui, estabeleceu preferências tarifárias em cerca de 800 itens da pauta exportadora. Ademais, o Brasil e o México firmaram, também em 2002, o Acordo de Complementação Econômica nº 55/02, destinado unicamente a estabelecer um maior intercâmbio comercial de automóveis.
Por conseguinte, a Aliança do Pacífico não tem nenhum impacto significativo sobre a realidade econômico-comercial da América do Sul e América Latina. E nem sobre o Brasil e o Mercosul. A não ser que os demais países da região abandonem o Mercosul, coisa altamente improvável, ela não representa ameaça real ao Brasil e ao autêntico processo de integração. Seu impacto maior é apenas político-ideológico: ela representa simbolicamente a aposta estratégica e incondicional no livre-cambismo, como solução mágica para os problemas econômicos e sociais de nossa região. Com a crise do capitalismo desregulado, essa pauta já deveria estar definitivamente enterrada, mas, como a fênix, ela ressurge teimosamente das suas próprias cinzas para enganar os incautos.
Relativamente a esse assunto, é interessante cotejar a experiência recente do México com a do Brasil.
O México, além de aderir ao acordo inteiramente assimétrico do NAFTA, já em 1992, firmou nada menos que 32 acordos de livre comércio. Trata-se do país campeão em livre comércio, o que mais celebrou acordos desse tipo em todo o mundo.
Se os teóricos do livre-cambismo estivessem certos, o México seria a economia mais dinâmica e inovadora do mundo. Contudo, os resultados efetivos são, para dizer o mínimo, duvidosos.
Após um período inicial de euforia com os novos investimentos norte-americanos e com o grande aumento do seu comércio internacional, principalmente com a criação de empresas “maquiladoras” na fronteira com os EUA, os inevitáveis efeitos negativos da integração tão assimétrica com a maior economia mundial se tornaram cada vez mais evidentes.
No campo industrial, houve grande esfacelamento da estrutura produtiva nacional. Muitas empresas mexicanas não conseguiram sobreviver à concorrência da produção industrial dos EUA. E as que conseguiram foram, em boa parte, compradas a baixos preços por grupos econômicos norte-americanos. Isso aconteceu de modo especialmente intenso na outrora pujante indústria têxtil mexicana, que passou a orbitar a cadeia produtiva dos EUA.
Na área agrícola, houve a geração de notável insegurança alimentar. O México, que era exportador de grãos, no período pré-Nafta, passou a importá-los dos EUA em sua quase de totalidade. Tal processo de destruição das culturas agrícolas se deu inclusive no que tange ao milho, base da alimentação e culinária mexicanas. Hoje em dia, o milho utilizado no México é quase todo colhido nos EUA, que subsidia fortemente a sua produção. Embora a agricultura mais moderna e irrigada tenha sobrevivido, a agricultura familiar foi muito afetada.
Ademais, houve fragilização da proteção jurídica ao meio ambiente e “precarização” das relações trabalhistas, em virtude dos privilégios concedidos aos investidores norte-americanos, no capítulo sobre investimentos do Nafta.
A consequência mais relevante foi, contudo, o aumento das desigualdades regionais e sociais no México. Houve poucos “ganhadores” mexicanos com a integração aos EUA e com os demais acordos de livre comércio, concentrados principalmente no Norte do país. As demais regiões, principalmente a região Sul do México, e a grande massa dos trabalhadores urbanos e rurais mexicanos não se beneficiaram na mesma medida, como se esperava. Na realidade, ocorreu significativo incremento das assimetrias regionais e sociais, impulsionado pelos efeitos econômicos desagregadores e destruidores da integração aos EUA.
Estudo feito pelo Banco Mundial, em 2007, intitulado Lessons from NAFTA for Latin America and the Caribbean Countries: A Summary of Research Findings (lições do NAFTA para os países da América Latina e do Caribe: resumo das conclusões da pesquisa), mostrou cabalmente que os efeitos da inserção internacional do México, ao longo do Nafta, foram significativamente regressivos.
Ademais, a economia mexicana tornou-se ainda mais dependente da economia dos EUA, dependência que não foi revertida com assinatura dos demais acordos de livre comércio. Com a crise, que afetou profundamente a economia norte-americana, o México praticamente não cresceu, em 2008, e, em 2009, seu PIB caiu quase 7%.
Nos primeiros 10 anos deste século, o PIB per capita (PPP) do México cresceu apenas 12%, bem abaixo do que cresceu o do Brasil (28%). Na realidade, o México só superou, nesse cômputo, a frágil Guatemala, o país que menos cresceu em toda a América Latina, com base nesse parâmetro específico. O recente crescimento do México, obtido graças, essencialmente, ao afluxo de capitais especulativos, não muda esse quadro estrutural.
Quanto aos imensos investimentos que o México esperava receber, em razão de suas concessões incondicionais ao livre-comércio, eles se dirigiram em volume incomensuravelmente maior para a China, uma economia bastante “estatizada”, porém extremamente dinâmica.
No que se refere à inovação tecnológica, o México, como reconhece a própria Academia Mexicana de Ciências (AMC), é um dos países mais atrasados do mundo. Para se ter uma ideia, as universidades chinesas conseguiram, em 2011, o reconhecimento de cerca de 35 mil patentes. As universidades mexicanas requereram apenas 70 e, desse total, somente 35 foram reconhecidas. Para quem pensava que a abertura da economia levaria automaticamente ao desenvolvimento tecnológico, o México é um gritante contraexemplo. Maquiladoras não geram inovação.
No Brasil, em contraste, a estratégia de inserção econômica no cenário mundial produziu resultados altamente progressivos. De fato, o Brasil adotou uma estratégia de inserção inversa à do México e a de outros países da região. A partir do governo Lula, o nosso país rejeitou claramente a proposta da ALCA ampla norte-americana, que continha cláusulas idênticas às do Nafta, e apostou na integração regional, via Mercosul e Unasul, na grande diversificação de suas parcerias estratégicas, especialmente com os demais BRICs, e na articulação geopolítica Sul-Sul, sem descuidar, porém, de suas boas relações com os países mais desenvolvidos.
O grande aumento das nossas exportações e os alentados superávits comerciais que tal estratégia proporcionou foram decisivos para reduzir substancialmente a nossa vulnerabilidade externa, zerar a dívida externa brasileira e criar um quadro econômico propício à redução das taxas de juros e à retomada do crescimento. Além disso, tal estratégia aumentou significativamente nosso protagonismo internacional e nossa autonomia político-diplomática. O resultado mais eloquente dessa inserção internacional, associada ao modelo de desenvolvimento brasileiro, tange ao fato de que, no Brasil, a maioria da população foi beneficiada.
Assim, ao contrário do México e de outros países da região, o Brasil é hoje ator mundial de primeira linha, que consegue articular exitosamente os interesses regionais e os anseios dos países em desenvolvimento em todos os foros internacionais relevantes. O nosso país fez a escolha estratégica acertada e soube aproveitar pragmaticamente as mudanças na ordem geoeconômica mundial, que deslocaram o centro dinâmico da economia internacional para os países emergentes. Já os países que apostaram na integração assimétrica aos EUA e às demais grandes economias internacionais não colheram, em geral, os frutos apregoados pelo ideário paleoliberal e se tornaram mais vulneráveis à crise mundial, que vem afetando mais intensamente as economias da Tríade (EUA, União Europeia e Japão).
A tendência, diga-se de passagem, é que os países emergentes continuem a apresentar maior dinamismo, o que recomenda o prosseguimento dessa estratégia exitosa, que nos transformou num autêntico global player, com uma corrente de comércio bastante diversificada.
A Aliança do Pacífico, o novo modismo do livre-cambismo regional, não passa, por conseguinte, de uma miragem paleoliberal.
Uma mistura de ideologia com fatos mal-assimilados. Uma Aliança do Factoide.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Lider José Guimarães: Bancada do PT está 100% empenhada em aprovar MP dos Portos
NOTA À IMPRENSA
A
Bancada do PT na Câmara reafirma seu compromisso com a votação da Medida
Provisória 595/12 (MP dos Portos) e o apoio ao projeto de lei de
conversão (PLV) do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), aprovado pela Comissão
Mista que analisou a matéria. O PLV incorpora contribuições importantes dos
integrantes do Congresso Nacional, a partir do amplo diálogo encetado com o
Governo, empresários e trabalhadores. Estamos convictos de que os
aperfeiçoamentos na MP 595 irão contribuir para modernizar o sistema portuário
brasileiro e atendem plenamente os interesses nacionais.
Ao
longo de todo o processo de análise da matéria, a Bancada contou com o
apoio de sua assessoria técnica, que levantou diversos aspectos
relacionados ao novo marco regulatório para o setor portuário. Os assessores
dissecaram o assunto, levantando todas as possibilidades e opções, para balizar
o posicionamento dos parlamentares da Bancada, como lhes cabe fazer.
Em
relação a notícias divulgadas na imprensa sobre nota técnica de assessor da
Bancada, cabe esclarecer que se trata de estudo preliminar, não
definitivo, tanto que não consta no parecer oficial apresentado em
plenário para os integrantes da Bancada do Partido dos Trabalhadores.
A nota reflete a análise inicial de um assessor e, além disso, os
pareceres dos assessores, em qualquer assunto, não são necessariamente acatados
pelo Líder ou pela Bancada.
A
Bancada do PT, coesa e fiel aos interesses nacionais, está cem por cento empenhada
em construir amplo entendimento em torno do PLV do senador Eduardo Braga
aprovado na Comissão Especial.
Brasília, 14 de maio de 2013
José Guimarães-PT/CE
Líder da Bancada na Câmara
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Professor: a essência da educação
Artur Bruno

Na década de 1960, a renda per capita da Coreia do Sul era metade da do Brasil. Hoje ela é o dobro por conta de investimentos na área educacional. Apesar de sermos a sexta economia mundial entre 195 países, amargamos a 88ª posição em qualidade de educação, de acordo com a Unesco. Segundo o Movimento Todos pela Educação, os alunos terminam o ensino médio sabendo apenas 10% do que deveriam ter aprendido em Matemática e somente 29% em Português.
O professor é um elemento central nessa revolução educacional. No entanto, há necessidades a serem superadas: esses profissionais precisam de melhoria salarial, atrativos planos de cargos e carreiras e formação continuada para que o ensino tenha, de fato, qualidade.
Não podemos negar que houve avanços nos últimos dez anos. Antes da Lei do Piso, havia municípios que não chegavam a pagar nem um salário mínimo aos seus docentes. Agora nenhum deles deve ganhar menos do que R$ 1.567. Entretanto, há um longo caminho a ser percorrido. Nos Estados Unidos, por exemplo, um professor do ensino básico público ganha um salário equivalente a R$ 10 mil. Na Coreia, R$ 8 mil. Aqui, esses profissionais ganham em média R$ 2 mil.
Entretanto, não adianta apenas melhorar os salários. A ascensão por mérito tem de ser uma regra a ser seguida. As boas práticas em sala de aula precisam ser premiadas. O poder público tem de oferecer formação continuada para que os professores formem alunos com visão de mundo e bom conhecimento tecnológico. Outro fator importante é a qualificação de diretores – que devem ser escolhidos por critérios técnicos, e não políticos - para atrair a comunidade ao ambiente escolar.
A presidente Dilma acerta ao definir a educação como ferramenta prioritária para o desenvolvimento do nosso País. Hoje investimos 6,1% do PIB na educação pública, o equivalente a R$ 240 bilhões – somando recursos da União, estados e municípios. Se a regra do Plano Nacional de Educação estivesse vigorando – investir 10% do PIB –, esse montante atualmente teria de ser de R$ 400 bilhões. Nesta longa caminhada, a solução é transformar inesquecível cada professor.
Artur Bruno é deputado federal (PT-CE) primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (publicado no Jornal O Povo em 07/05/2013)
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